Pierre Reverdy

Março 19, 2008

MEMÓRIA

Apenas um minuto
E já voltei
De tudo o que passou nada guardei
Um ponto
O céu mais amplo
E no último momento
A lanterna que passa
O passo que se ouve
Detém-se alguém entre tudo o que vai
Deixa-se andar o mundo
E o que está lá dentro
As luzes dançam
E a sombra estende-se
Já não há espaço
Olhando para a frente
Numa gaiola onde salta um animal vivo
O peito e os braços repetiam o gesto
Uma mulher ria
Voltando a cabeça
E aquele que chegava tinha-nos confundido
Nenhum dos três se conhecia
E nós éramos já
Um mundo cheio de esperança

Pierre Reverdy

in Franco Fortini “o movimento surrealista” presença, 1980
tradução António Ramos Rosa

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