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	<title>a idade de ouro</title>
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		<title>a idade de ouro</title>
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		<title>Raymond Queneau</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jun 2008 22:31:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>miguel.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Raymond Queneau]]></category>

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		<description><![CDATA[A EXPLICAÇÃO DAS METÁFORAS Longe do tempo e do espaço um homem se perdeu Fino como um cabelo, vasto como a aurora. Narinas espumantes, olhos esgazeados, Com as mãos estendidas a tactear o cenário. — Que, aliás, não existe — objectar-me-ão. Pois que significação tem esta metáfora «Fino como um cabelo, vasto como a aurora»? [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=45&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://aidadedoouro.files.wordpress.com/2008/06/raymond_queneau1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-46" src="http://aidadedoouro.files.wordpress.com/2008/06/raymond_queneau1.jpg?w=450&#038;h=450" alt="" width="450" height="450" /></a></p>
<p>A EXPLICAÇÃO DAS METÁFORAS</p>
<p>Longe do tempo e do espaço um homem se perdeu<br />
Fino como um cabelo, vasto como a aurora.<br />
Narinas espumantes, olhos esgazeados,<br />
Com as mãos estendidas a tactear o cenário.</p>
<p>— Que, aliás, não existe — objectar-me-ão.<br />
Pois que significação tem esta metáfora<br />
«Fino como um cabelo, vasto como a aurora»?<br />
E essas narinas fora das três dimensões?</p>
<p>Se falo do tempo, é porque não é ainda.<br />
Se falo dum sítio, esse lugar sumiu-se.<br />
Se falo dum homem, em breve morrerá.<br />
Se falo do tempo, o tempo terminou.</p>
<p>Se falo do espaço, um deus vem destruí-lo,<br />
Se falo dos anos, é para aniquilar,<br />
Se oiço o silêncio, um deus põe-se a mugir<br />
E os seus gritos repetidos incomodam-me.</p>
<p>Estes deuses são demónios: rastejam pelo espaço<br />
Finos como um cabelo, amplos como a aurora,<br />
Narinas espumantes, a baba pelas faces<br />
E as mãos estendidas a tactear um cenário.</p>
<p>— Que, aliás, não existe — objectar-me-ão.<br />
Pois que significação tem esta metáfora<br />
«Fino como um cabelo, vasto como a aurora»?<br />
E estas faces fora das três dimensões?</p>
<p>Se falo dos deuses, é porque cobrem o mar<br />
Com o seu peso infinito e o voo imortal.<br />
Se falo dos deuses, é porque povoam os ares,<br />
Se falo dos deuses, é porque são perpétuos.</p>
<p>Se falo dos deuses, é porque vivem sobre sob a terra,<br />
Insuflando no solo seu hálito vivaz,<br />
Se falo dos deuses é porque eles chocam o ferro,<br />
Amassam o carvão, distilam o zenabre.</p>
<p>Deuses ou demónios? Enchem o tempo todo<br />
Fino como um cabelo, amplo como a aurora?<br />
Os olhos estalados, narinas espumantes,<br />
E as mãos estendidas a tactear um cenário.</p>
<p>— Que, aliás, não existe — objectar-me-ão.<br />
Pois que significação tem esta metáfora<br />
«Fino como um cabelo, vasto como a aurora»?<br />
E porquê estas mãos fora das três dimensões?</p>
<p>Sãos demónio, sim. Um desce, o outro sobe.<br />
A cada noite, um dia, a cada monte um vale.<br />
A um dia uma noite, à árvore sua sombra.<br />
Um nome a cada ser, a todo o bem seu mal.</p>
<p>Sim, são reflexos, imagens negativas,<br />
Agitando-se em figuras imóveis,<br />
Lançando-se no vácuo em viva multidão<br />
E formando um duplo para cada verdade.</p>
<p>Mas o homem — um deus, um demónio — perdeu-se<br />
Fino como um cabelo, vasto como a aurora,<br />
Narinas espumantes, olhos esgazeados,<br />
As mãos estendidas a tactear um cenário.</p>
<p>Raymond Queneau, in<br />
Franco Fortini &#8220;O Movimento Surrealista&#8221; presença, 1980<br />
trad. António Ramos Rosa</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/aidadedoouro.wordpress.com/45/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/aidadedoouro.wordpress.com/45/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aidadedoouro.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aidadedoouro.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aidadedoouro.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aidadedoouro.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aidadedoouro.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aidadedoouro.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aidadedoouro.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aidadedoouro.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aidadedoouro.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aidadedoouro.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aidadedoouro.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aidadedoouro.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aidadedoouro.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aidadedoouro.wordpress.com/45/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=45&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Paul Éluard</title>
		<link>http://aidadedoouro.wordpress.com/2008/06/09/paul-eluard/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Jun 2008 22:27:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>miguel.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Paul Éluard]]></category>

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		<description><![CDATA[ORDEM E TURBULÊNCIA DO AMOR Para começar citarei os elementos A tua voz os teus olhos as tuas mãos os teus lábios Eu vivo sobre esta terra e pergunto-me Se nela viveria se tu nela não estivesses também Neste banho postado em face Do mar de água doce Neste banho que a chama Edificou nos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=43&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://aidadedoouro.files.wordpress.com/2008/06/paul_eluard3.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-44" src="http://aidadedoouro.files.wordpress.com/2008/06/paul_eluard3.jpg?w=337&#038;h=420" alt="" width="337" height="420" /></a></p>
<p>ORDEM E TURBULÊNCIA DO AMOR</p>
<p>Para começar citarei os elementos<br />
A tua voz os teus olhos as tuas mãos os teus lábios</p>
<p>Eu vivo sobre esta terra e pergunto-me<br />
Se nela viveria se tu nela não estivesses também</p>
<p>Neste banho postado em face<br />
Do mar de água doce</p>
<p>Neste banho que a chama<br />
Edificou nos nossos olhos</p>
<p>Este banho de lágrimas jubilosas<br />
Em que penetrei<br />
Pela virtude das tuas mãos<br />
Pela graça dos teus lábios</p>
<p>Este estado humano primordial<br />
Como uma pradaria dos começos</p>
<p>Os nossos silêncios as nossas palavras<br />
A luz que se vai<br />
A luz que de novo volta<br />
A aurora e o crespúsculo fazem-nos rir</p>
<p>No cerne do nosso corpo<br />
Tudo se torna flor e amadurece</p>
<p>Sobre a palha da tua vida<br />
Onde deito a velha carcaça</p>
<p>Em que me tornei por fim.</p>
<p>Paul Éluard, in &#8220;últimos poemas de amor&#8221; relógio d&#8217;água, 2002<br />
trad. Maria Gabriela Llansol</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/aidadedoouro.wordpress.com/43/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/aidadedoouro.wordpress.com/43/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aidadedoouro.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aidadedoouro.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aidadedoouro.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aidadedoouro.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aidadedoouro.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aidadedoouro.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aidadedoouro.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aidadedoouro.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aidadedoouro.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aidadedoouro.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aidadedoouro.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aidadedoouro.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aidadedoouro.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aidadedoouro.wordpress.com/43/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=43&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Louis Aragon</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Mar 2008 01:35:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>miguel.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Louis Aragon]]></category>

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		<description><![CDATA[AS REALIDADES (fábula) Era uma vez uma realidade com as suas ovelhas de lã real a filha do rei passou por ali E as ovelhas baliam que linda que está a re a re a realidade. Na noite era uma vez uma realidade que sofria de insónia Então chegava a madrinha fada e realmente levava-a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=33&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://aidadedoouro.files.wordpress.com/2008/03/3282151.jpg' title='3282151.jpg'><img src='http://aidadedoouro.files.wordpress.com/2008/03/3282151.jpg?w=460' alt='3282151.jpg' /></a></p>
<p>AS REALIDADES<br />
(fábula)</p>
<p>Era uma vez uma realidade<br />
com as suas ovelhas de lã real<br />
a filha do rei passou por ali<br />
E as ovelhas baliam que linda que está<br />
a re a re a realidade.</p>
<p>Na noite era uma vez<br />
uma realidade que sofria de insónia<br />
Então chegava a madrinha fada<br />
e realmente levava-a pela mão<br />
a re a re a realidade.</p>
<p>No trono havia uma vez,<br />
um velho rei que se aborrecia<br />
e pela noite perdia o seu manto<br />
e por rainha puseram-lhe ao lado<br />
a re a re a realidade.</p>
<p>CAUDA: dade dade a reali<br />
dade dade a realidade<br />
A real a real<br />
idade idade dá a reali<br />
ali<br />
a re a realidade<br />
era uma vez a REALIDADE.</p>
<p>Louis Aragon</p>
<p>in Franco Fortini &#8220;o movimento surrealista&#8221; presença, 1980<br />
tradução António Ramos Rosa</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/aidadedoouro.wordpress.com/33/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/aidadedoouro.wordpress.com/33/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aidadedoouro.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aidadedoouro.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aidadedoouro.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aidadedoouro.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aidadedoouro.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aidadedoouro.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aidadedoouro.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aidadedoouro.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aidadedoouro.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aidadedoouro.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aidadedoouro.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aidadedoouro.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aidadedoouro.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aidadedoouro.wordpress.com/33/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=33&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">miguel.</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Pierre Reverdy</title>
		<link>http://aidadedoouro.wordpress.com/2008/03/19/pierre-reverdy/</link>
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		<pubDate>Wed, 19 Mar 2008 01:32:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>miguel.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pierre Reverdy]]></category>

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		<description><![CDATA[MEMÓRIA Apenas um minuto E já voltei De tudo o que passou nada guardei Um ponto O céu mais amplo E no último momento A lanterna que passa O passo que se ouve Detém-se alguém entre tudo o que vai Deixa-se andar o mundo E o que está lá dentro As luzes dançam E a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=31&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="reverdy3.jpg" href="http://aidadedoouro.files.wordpress.com/2008/03/reverdy3.jpg"></a></p>
<p><a href="http://aidadedoouro.files.wordpress.com/2008/06/reverdy3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-47" src="http://aidadedoouro.files.wordpress.com/2008/06/reverdy3.jpg?w=256&#038;h=400" alt="" width="256" height="400" /></a></p>
<p>MEMÓRIA</p>
<p>Apenas um minuto<br />
E já voltei<br />
De tudo o que passou nada guardei<br />
Um ponto<br />
O céu mais amplo<br />
E no último momento<br />
A lanterna que passa<br />
O passo que se ouve<br />
Detém-se alguém entre tudo o que vai<br />
Deixa-se andar o mundo<br />
E o que está lá dentro<br />
As luzes dançam<br />
E a sombra estende-se<br />
Já não há espaço<br />
Olhando para a frente<br />
Numa gaiola onde salta um animal vivo<br />
O peito e os braços repetiam o gesto<br />
Uma mulher ria<br />
Voltando a cabeça<br />
E aquele que chegava tinha-nos confundido<br />
Nenhum dos três se conhecia<br />
E nós éramos já<br />
Um mundo cheio de esperança</p>
<p>Pierre Reverdy</p>
<p>in Franco Fortini &#8220;o movimento surrealista&#8221; presença, 1980<br />
tradução António Ramos Rosa</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/aidadedoouro.wordpress.com/31/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/aidadedoouro.wordpress.com/31/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aidadedoouro.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aidadedoouro.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aidadedoouro.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aidadedoouro.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aidadedoouro.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aidadedoouro.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aidadedoouro.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aidadedoouro.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aidadedoouro.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aidadedoouro.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aidadedoouro.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aidadedoouro.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aidadedoouro.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aidadedoouro.wordpress.com/31/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=31&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Max Jacob</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Mar 2008 01:30:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>miguel.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Max Jacob]]></category>

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		<description><![CDATA[NOCTURNO DAS VACILAÇÕES FAMILIARES Há noites que terminam numa estação! Há estações que terminam na noite! Quantos carris não atravessámos de noite! Tenho o corpo dorido dos ângulos salientes do vagão, à noite; dói-me ainda o deltóide. Quando esperávamos a irmã mais velha ou o papá, aquilo acabava sempre de maneira que seria melhor não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=29&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://aidadedoouro.files.wordpress.com/2008/03/jacob.jpg' title='jacob.jpg'><img src='http://aidadedoouro.files.wordpress.com/2008/03/jacob.jpg?w=460' alt='jacob.jpg' /></a></p>
<p>NOCTURNO DAS VACILAÇÕES FAMILIARES</p>
<p>Há noites que terminam numa estação! Há estações que terminam na noite! Quantos carris não atravessámos de noite! Tenho o corpo dorido dos ângulos salientes do vagão, à noite; dói-me ainda o deltóide. Quando esperávamos a irmã mais velha ou o papá, aquilo acabava sempre de maneira que seria melhor não contar: com o par de sapatos regado pela farinha do pão. Mas tenho, numa estação, um irmão antipático: chega sempre no último momento (tem lá as suas ideias); e então é preciso abrir uma mala que o criado não trouxe ainda; e, quando chega à bilheteira, não sabe ainda para que estação deve dirigir os vagões: hesita entre Nogent-sur-Marne e Ponts-de-Cé e outras localidades. A mala está aqui, aberta. Não comprou ainda o bilhete e as lanternas a gás debalde procuram transformar a noite em dia e o dia em noite. Há noites que terminam numa estação e estações que terminam na noite. Ah, maldita hesitação, foste tu que me perdeste e bem longe das vossas salas de espera, ó estações!</p>
<p>Max Jacob</p>
<p>in Franco Fortini &#8220;o movimento surrealista&#8221; presença, 1980<br />
tradução António Ramos Rosa</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/aidadedoouro.wordpress.com/29/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/aidadedoouro.wordpress.com/29/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aidadedoouro.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aidadedoouro.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aidadedoouro.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aidadedoouro.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aidadedoouro.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aidadedoouro.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aidadedoouro.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aidadedoouro.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aidadedoouro.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aidadedoouro.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aidadedoouro.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aidadedoouro.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aidadedoouro.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aidadedoouro.wordpress.com/29/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=29&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>René Char</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Mar 2008 01:26:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>miguel.</dc:creator>
				<category><![CDATA[René Char]]></category>

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		<description><![CDATA[QUERIA SER ACONTECIMENTO Queria ser acontecimento. Imaginava-me partitura. Era desajeitado. A caveira que, mau grado meu, substituía a maçã que amiúde levava aos lábios, só eu a via. Punha-me a um canto para mordê-la correctamente. Dado que não é possível andar a passear nem pretender fazer o amor com um fruto semelhante entre os dentes, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=27&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<p>QUERIA SER ACONTECIMENTO</p>
<p>Queria ser acontecimento. Imaginava-me partitura. Era desajeitado. A caveira que, mau grado meu, substituía a maçã que amiúde levava aos lábios, só eu a via. Punha-me a um canto para mordê-la correctamente. Dado que não é possível andar a passear nem pretender fazer o amor com um fruto semelhante entre os dentes, decidi, quando tinha fome, dar-lhe o nome de maçã. E já não me incomodou mais. Só mais tarde me apareceu o objecto que me embaraçava em forma gotejante, mas sempre ambígua, de poesia.</p>
<p>René Char</p>
<p>in Franco Fortini &#8220;o movimento surrealista&#8221; presença, 1980<br />
tradução António Ramos Rosa</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/aidadedoouro.wordpress.com/27/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/aidadedoouro.wordpress.com/27/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aidadedoouro.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aidadedoouro.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aidadedoouro.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aidadedoouro.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aidadedoouro.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aidadedoouro.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aidadedoouro.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aidadedoouro.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aidadedoouro.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aidadedoouro.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aidadedoouro.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aidadedoouro.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aidadedoouro.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aidadedoouro.wordpress.com/27/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=27&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Mário Cesariny</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jan 2008 01:41:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>miguel.</dc:creator>
				<category><![CDATA[mário cesariny]]></category>

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		<description><![CDATA[AUTORIDADE E LIBERDADE SÃO UMA E A MESMA COISA Autoridade é do que é autor. Só a autoridade confere autoridade. A autoridade não é quantidade. Todo o homem é teatro de uma inexpugnável autoridade. Aquele que julga ser possível autorizar ou desautorizar a autoridade de outrem não sabe no que se mete. Liberdade. A liberdade [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=25&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<p>AUTORIDADE E LIBERDADE SÃO UMA E A MESMA COISA</p>
<p>Autoridade é do que é autor.<br />
Só a autoridade confere autoridade.<br />
A autoridade não é quantidade.<br />
Todo o homem é teatro de uma inexpugnável autoridade.<br />
Aquele que julga ser possível autorizar ou desautorizar a autoridade de outrem não sabe no que se mete.<br />
Liberdade.<br />
A liberdade conhece-se pelo seu fulgor.<br />
Quatro homens livres não são mais liberdade do que um só. Mas são mais reverbero no mesmo fulgor.<br />
Trocar a liberdade em liberdades é a moda corrente do libertino.<br />
Pode prender-se um homem e pô-lo a pão e água. Pode tirar-se-lhe o pão e não se lhe dar a água. Pode-se pô-lo a morrer, pendurado no ar, ou à dentada, com cães. Mas é impossível tirar-lhe seja que parte for da liberdade que ele é.<br />
Ser-se livre é possuir-se a capacidade de lutar contra o que nos oprime. Quanto mais perseguido mais perigoso. Quanto mais livre mais capaz.<br />
Do cadáver dum homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro &#8211; nunca será um escravo.<br />
Autoridade e Liberdade são uma e a mesma coisa.</p>
<p>Mário Cesariny, in &#8220;A única real tradição viva, antologia da poesia surrealista portuguesa&#8221; assírio &amp; alvim, 1998<br />
organização de Perfecto E. Cuadrado</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/aidadedoouro.wordpress.com/25/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/aidadedoouro.wordpress.com/25/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aidadedoouro.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aidadedoouro.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aidadedoouro.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aidadedoouro.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aidadedoouro.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aidadedoouro.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aidadedoouro.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aidadedoouro.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aidadedoouro.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aidadedoouro.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aidadedoouro.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aidadedoouro.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aidadedoouro.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aidadedoouro.wordpress.com/25/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=25&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">miguel.</media:title>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>António José Forte</title>
		<link>http://aidadedoouro.wordpress.com/2008/01/22/antonio-jose-forte/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Jan 2008 01:16:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>miguel.</dc:creator>
				<category><![CDATA[antónio jose forte]]></category>

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		<description><![CDATA[RESERVADO AO VENENO Hoje é um dia reservado ao veneno e às pequeninas coisas teias de aranha filigranas de cólera restos de pulmão onde corre o marfim é um dia perfeitamente para cães alguém deu à manivela para nascer o sol circular o mau hálito esta cinza nos olhos alguém que não percebia nada de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=15&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://aidadedoouro.files.wordpress.com/2008/01/img082.jpg' title='img082.jpg'><img src='http://aidadedoouro.files.wordpress.com/2008/01/img082.jpg?w=460' alt='img082.jpg' /></a></p>
<p>RESERVADO AO VENENO</p>
<p>Hoje é um dia reservado ao veneno<br />
e às pequeninas coisas<br />
teias de aranha filigranas de cólera<br />
restos de pulmão onde corre o marfim<br />
é um dia perfeitamente para cães<br />
alguém deu à manivela para nascer o sol<br />
circular o mau hálito esta cinza nos olhos<br />
alguém que não percebia nada de comércio<br />
lançou no mercado esta ferrugem<br />
hoje não é a mesma coisa<br />
que um búzio para ouvir o coração<br />
não é um dia no seu eixo<br />
não é para pessoas<br />
é um dia ao nível do verniz e dos punhais<br />
e esta noite<br />
uma cratera para boémios<br />
não é uma pátria<br />
não é esta noite que é uma pátria<br />
é um dia a mais ou a menos na alma<br />
como chumbo derretido na garganta<br />
um peixe nos ouvidos<br />
uma zona de lava<br />
hoje é um dia de túneis e alçapões de luxo<br />
com sirenes ao crepúsculo<br />
a trezentos anos do amor a trezentos da morte<br />
a outro dia como este do asfalto e do sangue<br />
hoje não é um dia para fazer a barba<br />
não é um dia para homens<br />
não é para palavras</p>
<p>António José Forte, in &#8220;uma faca nos dentes&#8221; &amp; etc, 1983</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/aidadedoouro.wordpress.com/15/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/aidadedoouro.wordpress.com/15/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aidadedoouro.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aidadedoouro.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aidadedoouro.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aidadedoouro.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aidadedoouro.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aidadedoouro.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aidadedoouro.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aidadedoouro.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aidadedoouro.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aidadedoouro.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aidadedoouro.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aidadedoouro.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aidadedoouro.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aidadedoouro.wordpress.com/15/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=15&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<media:content url="http://aidadedoouro.files.wordpress.com/2008/01/img082.jpg" medium="image">
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>António Maria Lisboa</title>
		<link>http://aidadedoouro.wordpress.com/2008/01/22/antonio-maria-lisboa/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Jan 2008 01:04:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>miguel.</dc:creator>
				<category><![CDATA[antonio maria lisboa]]></category>

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		<description><![CDATA[VÍRGULA Eu menino às onze horas e trinta minutos a procurar o dia em que não te fale feito de resistências e ameaças — Este mundo compreende tanto no meio em que vive tanto no que devemos pensar. A experiência o contrário da raiz originária aliás demasiado formal para que se possa acreditar no mais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=13&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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VÍRGULA</p>
<p>Eu menino às onze horas e trinta minutos<br />
a procurar o dia em que não te fale<br />
feito de resistências e ameaças — Este mundo<br />
compreende tanto no meio em que vive<br />
tanto no que devemos pensar.</p>
<p>A experiência o contrário da raiz originária aliás<br />
demasiado formal para que se possa acreditar<br />
no mais rigoroso sentido da palavra.</p>
<p>Tanta metafísica eu e tu<br />
que já não acreditamos como antes<br />
diferentes daquilo que entendem os filósofos<br />
— constitui uma realidade<br />
que não consegue dominar (nem ele próprio)<br />
as forças primitivas<br />
quando já se tem pretendido ordens à vida humana<br />
em conflito com outras surge agora<br />
a necessidade dos Oásis Perdidos.</p>
<p>E vistas assim as coisas fragmentariamente é certo<br />
e a custo na imensidão da desordem<br />
a que terão de ser constantemente arrancadas<br />
— são da máxima importância as Velhas Concepções pois<br />
a cada momento corremos grandes riscos<br />
desconcertantes e de sinistra estranheza.</p>
<p>Resulta isto dum olhar rápido sobre a cidade desconhecida.<br />
E abstraindo dos versos que neste poema se referem ao mundo humano<br />
vemos que ninguém até hoje se apossou do homem<br />
como frágil véu que nos separa vedados e proibidos.</p>
<p>António Maria Lisboa, in &#8220;Poesia&#8221; assírio &amp; alvim, 1995</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/aidadedoouro.wordpress.com/13/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/aidadedoouro.wordpress.com/13/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aidadedoouro.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aidadedoouro.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aidadedoouro.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aidadedoouro.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aidadedoouro.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aidadedoouro.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aidadedoouro.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aidadedoouro.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aidadedoouro.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aidadedoouro.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aidadedoouro.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aidadedoouro.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aidadedoouro.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aidadedoouro.wordpress.com/13/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=13&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Antonin Artaud</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jan 2008 00:03:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>miguel.</dc:creator>
				<category><![CDATA[antonin artaud]]></category>

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		<description><![CDATA[Man Ray [ Antonin Artaud ] 1926 DESCRIÇÃO DE UM ESTADO FÍSICO uma sensação de queimadura ácida nos membros, músculos retorcidos e em carne viva, o sentimento de ser de vidro e quebrável, um medo, uma retracção perante o movimento e o barulho. Uma desordem inconsciente do andar, dos gestos, dos movimentos. Uma vontade perpetuamente [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aidadedoouro.wordpress.com&amp;blog=2520857&amp;post=10&amp;subd=aidadedoouro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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Man Ray [ Antonin Artaud ] 1926</p>
<p>DESCRIÇÃO DE UM ESTADO FÍSICO</p>
<p>uma sensação de queimadura ácida nos membros, músculos retorcidos e em carne viva, o sentimento de ser de vidro e quebrável, um medo, uma retracção perante o movimento e o barulho. Uma desordem inconsciente do andar, dos gestos, dos movimentos. Uma vontade perpetuamente tensa para os gestos mais simples,<br />
a renuncia ao gesto simples,<br />
uma fadiga arrasante e central, uma espécie de fadiga absorvente. Os movimentos por refazer, uma espécie de fadiga de morte, a fadiga do espírito pela aplicação da mais simples tensão muscular, o gesto de pegar, de se agarrar inconscientemente a qualquer coisa,<br />
a sustentar por uma vontade aplicada.<br />
Uma fadiga do princípio do mundo, a sensação do seu corpo como um fardo, um sentimento de fragilidade incrível, que se torna numa dor despedaçante,<br />
um estado de entorpecimento doloroso, uma espécie de entorpecimento localizado na pele, que não impede nenhum movimento mas altera a sensação interna de um membro, e confere à simples posição vertical o valor de prémio de um esforço vitorioso.<br />
Localizado provavelmente na pele, mas sentido como supressão radical de um membro, e não apresentado já ao cérebro senão imagens de membros filiformes e algodoados, imagens de membros longínquos e fora do seu lugar. Uma espécie de ruptura interna da correspondência de todos os nervos.<br />
Uma vertigem em movimento, uma espécie assombro oblíquo que acompanha todo o esforço, uma coagulação de calor que condensa toda a extensão do crânio, ou se desfaz em pedaços, placas de calor que se deslocam.<br />
Uma exacerbação dolorosa do crânio, uma cortante pressão dos nervos, a nuca obstinada em sofrer, as têmporas que se cristalizam ou se petrificam, uma cabeça espezinhada por cavalos.<br />
Haveria que falar agora da descorporização da realidade , dessa espécie de ruptura, dir-se-ia que aplicada a multiplicar-se a si própria entre as coisas e o sentimento que elas produzem no nosso espírito, o lugar que devem ocupar.<br />
Essa classificação instantânea das coisas nas células do espírito, não tanto segundo a sua ordem lógica lógica, ma segundo a sua ordem sentimental afectiva<br />
(que já não se faz):<br />
as coisas já não têm odor, não têm sexo. Mas também a sua ordem lógica se rompe por vezes por falta de alento afectivo. As palavras apodrecem ao apelo inconsciente do cérebro, qualquer palavra para qualquer operação mental, e sobretudo as que tocam nas molas mais habituais, as mais activas no espírito.</p>
<p>Antonin Artaud, in &#8220;o pesa-nervos&#8221; hiena (1991)<br />
tradução de Joaquim Afonso</p>
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